Infelicidade no trabalho atinge 1 em 3 profissionais

“Foi o pior ano da minha vida”, desabafa Amanda Moscardi, 31, sobre o período em que atuou em uma agência de promoção e eventos.
Trabalho excessivo e problemas com os chefes interferiram em sua vida pessoal. Então noiva, ela diz quase ter cancelado o casamento.
“Não via meu namorado e, por isso, brigávamos muito. Não estava empolgada e faltei a provas do vestido de noiva”, lembra Moscardi, que pediu demissão e se casou.

Como ela, outros profissionais reclamam de insatisfação no trabalho. Pesquisa realizada no primeiro semestre de 2011 pela Weigel Coaching com mil pessoas de São Paulo e do Rio Grande do Sul aponta que 32,2% se sentem parcialmente felizes ou infelizes profissionalmente.

Outro estudo, feito no ano passado pela consultoria Hays com 430 trabalhadores de São Paulo e do Rio de Janeiro, revela o mesmo cenário: 32% estão infelizes.

A realidade indicada pelos levantamentos, obtidos com exclusividade pela Folha, agrava-se à medida que o país cresce, dizem especialistas. “O mar de possibilidades que se abriu [no mercado] eleva o grau de insatisfação”, frisa Jaqueline Weigel, “coach” responsável pela pesquisa.

Os trabalhadores “sentem-se motivados a buscar um lugar nessa festa” e tendem a acreditar que estariam melhor em outra empresa, diz.

Quando o mercado era mais fechado, completa Gustavo Costa, diretor da Hays em São Paulo, os profissionais frustravam-se menos “porque não havia escolha”.

FALTA DE PLANO É PRINCIPAL MOTIVO
Ausência de projetos de carreira de longo prazo é um dos motivadores da infelicidade no trabalho. Dos profissionais ouvidos pela Weigel Coaching que se dizem felizes, 95% têm metas claras para os próximos cinco anos.

Quando não há planejamento de longo prazo, a insegurança no presente é maior, explica José Augusto Figueiredo, vice-presidente de operações da DBM Brasil e América Latina.

“Sem projetos, você perde a direção, e a sensação de angústia aumenta”, afirma.

Diretora de empresa, a administradora Rosana Sun, 38, não tinha plano de longo prazo. “Já estava quase no topo.”

Quando perdeu autonomia, sua insatisfação chegou ao ápice. O setor em que estava havia sido incorporado por outro, mais engessado.

As tarefas em excesso pesaram no grau de infelicidade. A morte do padrinho foi a gota d’água. “Não me despedi dele porque estava em reunião. Para cumprir responsabilidades, entrei em um círculo no qual dava mais importância ao trabalho.”

Quatro meses após as mudanças na empresa, Sun pediu demissão. Fez as malas e viajou por um ano.

Líderes centralizadores, ausência de desafios e de reconhecimento e ambientes competitivos e que não apresentam perspectivas de crescimento completam a lista dos fatores que levam à infelicidade no trabalho.

A chefe que gritava com a equipe e a falta de organização da empresa foram os motivos da insatisfação da documentista imobiliária G.C.B., 19. “Acordava desanimada todas as manhãs”, conta.

Atrasos no pagamento do salário resultaram na saída da jovem após três meses. “Aguentei até demais.”

As empresas não estão preparadas para identificar trabalhadores infelizes e elaborar políticas de ação para reverter esse quadro, de acordo com Alexandre Giomo, da Leme Consultoria e professor da FIA (Fundação Instituto de Administração).

Fonte: http://classificados.folha.com.br/empregos/994847-infelicidade-no-trabalho-atinge-1-em-3-profissionais.shtml

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